A cultura dos povos indígenas “Uru-Eu-Wau-Wau” foi retratada na abertura de uma exposição de peças em cerâmica, durante uma live promovida pela Fundação Cultural do Estado de Rondônia (Funcer) em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc). O evento, realizado na noite desta sexta-feira (23), na sacada do Palácio Presidente Vargas, onde abriga o Museu da Memória Rondoniense (Mero), em Porto Velho, reuniu uma composição de 250 mini esculturas em forma de pássaros.

Ainda no início do encontro, a mediadora Betania Avelar agradeceu a colaboração e o incentivo da Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel), Funcer e demais entidades atuantes no Estado, quanto ao compromisso da realização do evento. In loco, a artista responsável pela obra, Déba Tacana, também acompanhou de perto a inauguração da exposição.

Emocionada, na ocasião, Déba destacou a importância da formação histórica e social do território rondoniense, no qual é originalmente constituído por diversas etnias, além do povo Uru-Eu-Wau-Wau, mas na presença dos índios: cinta-larga, karipuna, karitiana e tantos outros povos originários. “Para mim, a arte tem sido um dos lugares de resistência e diálogo, porque nos fala de ficção, processo e construção sobre as bases epistemológicas (conhecimento) indígenas, visto que vai muito além desse conceito”, acrescenta.

Ceramista, nascida em Rondônia, explica a composição das peças e seu significado durante a live.

De acordo com o chefe de equipe do Mero, João Rabello, a instalação das peças artísticas em um dos principais pontos turísticos da capital Porto Velho, traz uma reflexão acerca do mês dedicado à presença indígena no Brasil. “O trabalho é fundamental, não apenas para enfeitar o patrimônio público, mas propagar, de maneira representativa, a expressão autêntica de uma de nossas etnias. Vale ressaltar que o Governo de Rondônia abre portas para que isso aconteça, dando oportunidade para uma artista local com ideias significativas desenvolver seu projeto”, declara.

LINGUAGEM EM CERÂMICA

Durante a live, o significado da instalação das 250 peças produzidas pela artista foi explicado ao público que participou em casa atentamente da apresentação. Sendo produzida em tamanho padrão, especificamente em 10cmX8cm cada, as mini esculturas são compostas por uma matéria-prima argilosa muito comum na construção civil e produções em cerâmica, denominado terracota.

Arte indígena feita com terracota está instalada na sacada do Museu da Memória Rondoniense.

Segundo a ceramista, o insumo de argila extraído da própria região amazônica traz consigo a representatividade das expressões indígenas locais. Outro detalhe apontado, refere-se ao formato das peças que correspondem à letra “X”, cuja semelhança remete a um pássaro de asas abertas. O símbolo está presente nas pinturas corporais tradicionalmente utilizadas pelo povo Uru-Eu-Wau-Wau do Estado de Rondônia.

“A identidade da ave também está relacionada aos chamados “rios voadores”, pelo fato de possuir 12 bacias hidrográficas em nascentes do território étnico onde o fenômeno da natureza ocorre quando há evaporação das águas dos rios, resultando nas chuvas que cobrem várias regiões do nosso país”, explica Déba, ao falar da estrutura do trabalho. Todo o processo constitutivo da obra artística é baseado na linguagem e na produção da arte visual contemporânea, priorizando o uso da cerâmica.

SOBRE A ARTISTA

Déba Viana Tacana é ceramista. Sendo de origem indígena e cigana, ela sempre valorizou a preservação da memória dos povos originários de Rondônia, por meio de expressões artísticas como nas esculturas de argila. Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (PE) e, atualmente, mestranda na linha de ensino de Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina, desenvolve pesquisas na área educacional de professores para as relações étnico-raciais. Ela também atua na educação não formal com mulheres encarceradas no sistema prisional e em territórios camponeses e indígenas.

À COMUNIDADE

A mostra artística Uru-Eu-Wau-Wau estará à disposição de toda a comunidade, de 23 de abril a 23 de maio, em horário comercial, no Museu da Memória Rondoniense, em Porto Velho. Em decorrência da pandemia provocada pelo novo coronavírus, os visitantes que desejam conhecer o trabalho contemporâneo podem ir ao local respeitando os protocolos sanitários para garantir a segurança de sua saúde.

Como forma de dar continuidade à democratização do acesso à cultura local, para a próxima sexta-feira, dia 30, às 18h30, haverá uma nova edição do evento “Café no Museu”, transmitido ao vivo pela rede social da Funcer, abordando mais sobre a cultura indígena por meio de diferentes produções artísticas da região.

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