Os dados são de uma pesquisa divulgada durante a programação do X Fórum Social Pan-Amazônico

Porto Velho, RO - De 2020 a 2022, 62 camponeses foram mortos em estados da Amazônia, segundo o documento, intitulado “Assassinatos na Pan-Amazônia”. A causa da maioria das mortes é atuação violenta de grileiros, fazendeiros e garimpeiros.

Ao todo, 12 entidades de cinco países voltadas para a defesa dos povos da Amazônia divulgaram levantamento sobre assassinatos de camponeses na região.

No Brasil, participaram do levantamento a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o Gruter (Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Terra e Território na Amazônia) da Universidade Federal do Amapá e o Observatório da Democracia, Direitos Humanos e Políticas Públicas.

Além disso, atuaram instituições da Colômbia, Bolívia, Equador e Peru. O lançamento da pesquisa ocorreu durante a programação do X Fórum Social Pan-Amazônico, realizado em Belém, no Pará, que encerrou em 1º de agosto.

As mortes na Amazônia de 2020 a 2022 representam 80% dos registros de assassinatos no campo em todo o Brasil. No mesmo sentido, no primeiro ano pesquisado, foram 15 mortes e no segundo, 29. Em 2022, até o dia 7 de julho, ocorreram 18 assassinatos.

Os estados de Maranhão e Rondônia registraram igualmente 16 assassinatos, seguidos por Amazonas, com nove; Pará, com oito; Roraima, com sete; Tocantins, três; Mato Grosso, dois e uma morte no Acre.

“Todos estes casos nos mostram que os assassinatos na Amazônia não são fatos isolados de violência, senão consequências a agressões cada vez mais intensas do crime organizado, que associam interesses militares, empresariais, do tráfico aos saqueadores dos recursos naturais”, diz o documento.

“A expropriação do campo e a sanha pela renda da terra dos grandes grupos de latifundiários e empresas exploradoras que por meio da privatização da natureza com objetivo de lucrar geram a morte da sociedade em consequência da morte da natureza”.

Treze mortes são atribuídas à atuação violenta da polícia no Amazonas, Tocantins e Rondônia.

Nos cinco países da Amazônia, houve 220 assassinatos de camponeses desde 2020. O maior número foi registrado na Colômbia, que teve 120 casos. Peru teve 18 mortes. Equador e Bolívia tiveram um caso. Os países constituem juntos, mais de 85% do território da bacia amazônica.

Fonte: Diário da Amazônia