Líderes do centrão trabalham por novas regras na estatal para que, independentemente do governo futuro, seja possível que ala política influencie a indicação de nomes e a definição da política de preços.

Porto Velho, RO - Apesar do ceticismo de aliados de Jair Bolsonaro (PL) com o efeito imediato na eleição das mudanças na Petrobras, líderes do Centrão trabalham pelas novas regras na estatal para que, independentemente do governo futuro, a ala política possa ter influência na indicações de nomes para ocupar cargos e até mesmo autonomia para definir como são formados os preços dos combustíveis – pelo menos esse é o discurso oficial. (Leia mais sobre a política de preços da Petrobras ).

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos principal defensores da troca no comando da Petrobras, cobrou duramente o ministro da Economia, Paulo Guedes, e também o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, para promoverem mudanças na estatal “com sensibilidade”.

Propôs, inclusive, mudanças legislativas – mas foi convencido por Paulo Guedes de que seria “menos barulhento” fazer mudanças por meio da governança e de atualizações no estatuto da Petrobras.

O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, participou de audiência na Câmara — Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

Os políticos vêm cobrando uma participação maior na discussão da política de preços da Petrobras – e não gostaram quando Sachsida disse que “governo não interfere” nos preços de combustíveis. Para Lira e aliados, o governo pode até não interferir na estatal, mas indica e demite seu presidente e, por isso, precisa ter mais espaço no debate sobre preços.

Na semana passada, Lira conversou com Caio Paes de Andrade, oficializado nesta segunda-feira (27) como presidente da Petrobras – o quinto a ocupar o cargo desde o começo do governo Bolsonaro –, e disse que, com essa “carta branca”, o novo comando da estatal pode dar mais “atenção à pauta ESG” (meio ambiente, responsabilidade social e governança, na sigla em inglês), com foco no social.

Paes de Andrade recusa convite de conselho da Petrobras para dar explicações sobre política de preços

Segundo o blog apurou, Lira relatou a interlocutores que avaliou que o novo presidente da Petrobras garantiu que vai "matar no peito" mudanças internas – como governança, estatuto e política de preços.

Essa "intervenção por dentro" do governo na Petrobras foi a solução dada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, após cobranças do Centrão.

Atualmente, a Petrobras adota a política de paridade de preços internacionais (PPI). Instaurada em 2016, a política define que a estatal deve parear o preço dos combustíveis na refinaria com aqueles praticados no mercado internacional, de modo que os valores são impactados pelas oscilações dos preços do petróleo e do câmbio.

As decisões sobre os reajustes são tomadas pelo Conselho de Administração e pela diretoria da Petrobras. Como acionista majoritário da petroleira, o governo indica a maioria dos membros do conselho; seis dos 11 conselheiros atuais foram indicados por Bolsonaro.

Mudar a política de preços da estatal exigiria mudanças nos estatutos da companhia e na legislação – em especial a Lei das Estatais. Sem isso, uma mudança na política de preços da Petrobras para impedir o aumento do valor dos combustíveis no Brasil seria arriscada e extremamente custosa para a diretoria da empresa e estaria sujeita a questionamentos jurídicos.

Fonte: G1