Defesa tem obtido conquistas crescentes no Leste, enquanto invasores continuam a sofrer com falta de equipamentos e soldados

Porto Velho, RO - As tropas ucranianas que defendem Kharkiv, segunda maior cidade do país, retomaram terreno e avançaram até à fronteira do estado com a Rússia, relatam autoridades ucranianas.

O governador da região de Kharkiv, Oleh Sinegubov, escreveu no Telegram que as tropas do 227º Batalhão da Ucrânia restauraram um marco fronteiriço no limite do estado.

“Agradecemos a todos que, arriscando suas vidas, libertam a Ucrânia dos invasores russos”, disse Sinegubov.

O assessor do Ministério do Interior ucraniano Vadym Denisenko disse, em comentários televisionados, que os contra-ataques perto de Kharkiv “não podem mais ser parados”:

— Graças a eles, podemos ir para a retaguarda do grupo de forças russas — disse.

Os comentários ucranianos não puderam ser verificados de forma independente, mas vídeos publicados por soldados ucranianos corroboram os informes. A informação circula como rumor há alguns dias.

Segundo analistas militares, as forças russas que tentaram cercar Kharkiv, a apenas 25 quilômetros da fronteira, encontram-se em retirada, e devem encerrar sua tentativa de sitiar a cidade nos próximos dias.

A retomada de terreno aponta que a Ucrânia tem obtido sucesso crescente em repelir o ataque no Leste, após sair vitoriosa na campanha no Norte, onde fica a capital Kiev.

A vitória ucraniana na região de Kharkiv ameaça cortar uma linha de suprimento que abastece as tropas russas em Izyum, a 120 quilômetros a sudeste dali. A ofensiva perto da cidade tem diminuído de intensidade. A Rússia pretendia lançar uma ofensiva a partir de Izyum rumo a Luhansk, no Sul, com o objetivo de cercar tropas ucranianas.

Mapa da guerra da Ucrânia, dia 82


“Embora as forças russas no Leste sejam mais fortes do que as enfrentadas no Borte e Nordeste, qualquer interferência em suas linhas de abastecimento terá um impacto significativo nas operações de combate russas no eixo de avanço de Izium”, disse o general aposentado australiano Mick Ryan, hoje ligado ao Instituto da Guerra Moderna da Academia de West Point.

No fim de semana, agências militares ocidentais disseram que a ofensiva de Moscou na região de Donbass estagnou. Há diversos indícios de que as forças invasoras estão com séria escassez de contingente.

Em seu boletim de inteligência no domingo, o Ministério da Defesa do Reino Unido informou que calcula que cerca de um terço das forças russas que participam da invasão à Ucrânia está fora de combate. No mês passado, esse percentual estava em 25%.

No domingo à noite, em um comunicado, Estado-Maior ucraniano dusse que, em algumas áreas, o efetivo russo é inferior a 20% de seu tamanho inicial. De acordo com o mesmo órgão, aproximadamente 2.500 reservistas russos estão treinando nos oblasts de Belgorod, Voronezh e Rostov para reforçar as operações ofensivas.

Serhiy Gaidai, governador da região de Luhansk, no Donbass, disse que os líderes da autoproclamada República Popular de Lugansk, território controlado por separatistas apoiados pela Rússia, declararam uma mobilização geral, acrescentando que, para os cidadãos homens aptos a combate, há uma ordem para lutar ou levar um tiro, não há outra escolha".

Gaidai disse que a situação "continua difícil", com as forças russas tentando cercar a cidade de Sieverodonetsk.

Diante da falta de braços e equipamentos, há especulação de que Vladimir Putin, que continua a considerar a guerra uma “operação militar especial”, vá declarar algum tipo de mobilização, para poder alistar contingente maior com mais facilidade.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse no domingo que a ofensiva da Rússia em Donbas parou e a Ucrânia pode vencer a guerra, um resultado que poucos analistas militares previram no começo da invasão em 24 de fevereiro.

Fonte: O Globo