Porto Velho, RO - Nos últimos meses de 2021 e no começo de 2022, o preço da soja tem ficado atrativo. No entanto, no ciclo 2022/23, as incertezas giram em torno dos custos com insumos, o que pode tirar parte significativa da rentabilidade do produtor. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de São Paulo (Aprosoja-SP), Azael Pizzolato Neto, são três os elementos que podem impactar mais o bolso do agricultor: fertilizantes, combustível e equipamentos.

“Não há uma fórmula mágica que faça com que o produtor garanta margem de lucro. Neste ciclo que vamos começar, gestão de custos com eficiência e conhecimento são fundamentais. O produtor terá de fazer sua lição de casa. Na parte de fertilizantes, não vai ter como fazer aquela aplicação homogênea em toda a área. O produtor vai ter de conhecer o seu solo, saber a capacidade de produção de onde ele está instalado e fazer uma adubação muito técnica com uso racional desse produto”, declara.

Já na área de combustíveis, Pizzolato Neto enfatiza que a economia pode vir com a adoção de boas práticas agronômicas para evitar retrabalho e com o plantio direto, que evita o gasto do diesel nas máquinas com o preparo de solo. “Além disso, ter os equipamentos muito bem dimensionados para que essa operação que está sendo feita com insumos muito caros seja feita na hora adequada e de maneira certa”.

Nitrato de amônio. Foto: Pixabay

O presidente da Aprosoja paulista lembra que a entidade está comunicando aos seus associados que não usem fertilizantes em excesso porque esse tipo de prática prejudica toda a cadeia, além de elevar os custos de produção. “Em um cenário de restrição de oferta, se houver um consumo de luxo, isso causa um problema. Então o produtor tem de conhecer o que tem em seu solo, saber a capacidade de produtividade em sua região, saber que isso varia entre uma área de expansão para uma tradicional de grãos, de Norte a Sul do país […]”, destaca.
Operação de Barter

Acompanhar a oscilação do câmbio, entender o mercado na hora da comercialização da soja e buscar orientações técnicas são essenciais para que o produtor alcance a rentabilidade desejada. Já no planejamento da próxima safra, a definição de áreas, a maneira como será feita a aquisição de insumos e a questão operacional devem ser levadas em conta, de acordo com a gerente de Mesa de Operações de Barter da Bayer, Pollyana Morais.

“No entanto, para esse sucesso, é preciso que se tenha uma gestão financeira por trás porque é necessário ter o balanço de compra de produtos versus a venda de commodities. No final, a administração assertiva é que trará os resultados positivos no final da safra”, resume.

Segundo ela, o produtor não pode se abster a fazer um fechamento de temporada, calculando os fatores que estavam sob o seu controle e quais eram incontroláveis e como ele conseguiu mitigar esses riscos e os altos custos. “É superimportante trazer esses aprendizados e olhar para a próxima safra de uma forma diferente. Existem fatores que o produtor consegue controlar, como a sua gestão, as suas compras, e existem outros que ninguém controla, como a oscilação de câmbio”, explica.

Pollyana explica que na operação de Barter, a comercialização da produção é o foco. “O nosso trabalho é participar da jornada do produtor desde o momento em que ele toma a decisão de compra até o momento em que comercializa a commodity”. Assim, a ferramenta tem como objetivo trazer mais previsibilidade ao produtor rural para driblar altos custos. “Nas operações de Barter, definimos o preço da commodity na partida e protegemos o produtor das principais oscilações”, diz, em referência às instabilidades da Bolsa de Chicago, câmbio e aos prêmios dos portos.

De acordo com a especialista, ainda que o Barter envolva a negociação do físico, não significa que o produtor não consiga participar de momentos altistas do mercado. “Hoje em dia temos ferramentas em que o produtor consegue atrelar o seguro de preços. Então são várias possibilidades totalmente customizáveis ao perfil de cada produtor e o nosso trabalho é exatamente este: oferecer a proteção, ajudá-lo a mitigar esses riscos que o mercado de commodities oferece e, ao mesmo tempo, contribuir para que no final do dia, ele tenha uma safra produtiva, com tetos produtivos altos e rentabilidade”.

O programa Aliança da Soja é uma parceria entre o Canal Rural e a Plataforma Intacta 2 Xtend e é exibido todas as segundas-feiras, às 13h35, com reprise às terças-feiras, às 6h30.

Fonte: Victor Faverin, de São Paulo