José Mauro Ferreira Coelho e a Petrobrás (Foto: ABr)

Porto Velho, RO - A descoberta tardia por Jair Bolsonaro de que a atual política de preços da Petrobrás, implantada por Michel Temer após o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, é uma "barbaridade" pode custar a cabeça do presidente da Petrobrás, José Mauro Coelho.
"A situação do presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que completou um mês no cargo no sábado (14), continua cercada de incertezas, segundo interlocutores ligados à companhia. O Valor apurou que o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, 'transferiu' para o Planalto a responsabilidade da discussão sobre a política de preços da companhia, que busca seguir a paridade das cotações domésticas às internacionais. Se Coelho quiser tratar o assunto, terá que fazê-lo não com o MME — a quem se reporta diretamente —, mas com o presidente Jair Bolsonaro", informa o jornalista Francisco Góes, do Valor.

"A situação de fragilidade de Coelho já havia ficado clara no dia da posse de Sachsida no MME, na quarta, na leitura de interlocutores da companhia. Pesa contra Coelho o fato de ter sido indicado pelo ex-ministro Bento Albuquerque. De quinta para cá, a pressão aumentou. Ninguém arrisca dizer se o novo presidente da Petrobras conseguirá se manter no cargo e por quanto tempo. Uma alta fonte da Petrobras foi perguntada pela reportagem se Coelho chega ao fim do mês. E a resposta foi: 'Difícil saber'”, acrescenta o jornalista.

Ontem, pela primeira vez, Bolsonaro disse que não há qualquer impedimento para mudar a política de preços da Petrobrás, que foi alterada por Michel Temer após o golpe de estado de 2016, com a finalidade de retirar renda dos brasileiros e transferi-la para acionistas privados e internacionais da Petrobrás. "O que eu acho que Petrobras poderia fazer, tem um artigo constitucional que fala da finalidade social da Petrobras. Não está sendo levado em conta. A paridade internacional só existe no Brasil", disse ele, referindo-se ao Preço de Paridade de Importação. "O PPI não é uma lei, é uma resolução do Conselho [de Administração da Petrobras]. Se o Conselho achar que tem de mudar, muda, mas a população como um todo não pode sofrer essa barbaridade porque atrelado ao preço do combustível está a inflação e poder aquisitivo da população está lá embaixo", disse ele.

Fonte: Brasil247