Escola agrícola em Rondônia — Foto: Instituto Adventista da Amazônia Ocidental/Divulgação

Uma escola, distante cerca de 389 km de Porto Velho, decidiu unir dois modelos de ensino: a educação tradicional e a educação construtivista.

O Instituto Adventista da Amazônia Ocidental, em Mirante da Serra (RO), abriga centenas de alunos, de diversas regiões do Brasil e se dedica em ensinar não só o básico, como matemática e língua portuguesa, mas, ampliar o trabalho para áreas voltadas ao campo.

A fazenda escola conta com mais de 500 hectares e além do espaço voltado à formação dos estudantes, possui uma parte separada voltada para o campo, como lavouras e tanques de piscicultura.

De acordo com a administração da escola, o intuito da educação híbrida é valorizar "a educação na natureza", já que "com a natureza, os alunos aprendem todas as áreas, tanto humanas, exatas e biológicas".

Para que o aluno fique submerso nessa conexão, a escola possui a opção de internato. Alguns dos estudantes que escolhem essa opção, nunca viveram a rotina rural. Para Maria Fernanda, nova estudante da instituição, a mudança no estilo de vida foi de percepção imediata.

"É a primeira vez que eu venho para um internato. Estou fazendo o primeiro ano do ensino médio e está sendo uma experiência bem impactante, sendo honesta. Em Vilhena, eu sempre morei no centro, mas lá eu nunca tive tanto contato com a natureza, os produtos de lá são cheios de veneno, eu senti a diferença comendo a comida daqui", revelou.

De acordo com a escola, a rotina dos alunos que optam pelo internato é intensa, já que a ideia é trabalhar a saúde física, mental e espiritual.

"A rotina é bem específica para eles. Tem três alimentações diárias no restaurante, quarto com banheiro, cama, guarda-roupa e escrivaninha para estudar, tem a hora da atividade física com academia, piscina e quadra de esporte, hora do estudo, não somente no período escolar, mas fora dele também, os momentos recreativos, de espiritualidade e sociabilização", explica.

William Mendes, de 15 anos, é apaixonado por leite e seus derivados. Na escola, ele teve o privilégio de conhecer um pouco do processo de ordenha e já até colocou parte do conhecimento em prática.

"Eu sou de Goiânia e vim pra cá porque meu pai trabalha aqui, fazem dois anos que estou aqui. Eu já estive aqui algumas vezes, mas hoje vim para aprender e aprendi como funciona o sistema das vacas. Foi muito legal, uma experiência que eu não tinha feito ainda", explicou.

Cultivo

Cultivo de hortaliças na escola em Rondônia — Foto: Instituto Adventista da Amazônia Ocidental/Divulgação


Parte do terreno é usado para o cultivo de grãos, na produção de horta e também no desenvolvimento de tanques de piscicultura. Todo o alimento produzido no espaço é consumido pelos alunos e funcionários da instituição.

Na horta, há cebolinha, tomate, beringela e alface. Do setor produtivo, os alunos estudam e ajudam no cultivo de arroz, ovos, beterraba e repolho.

Em um espaço, são cultivados 22 hectares de milho. O produto, além de virar ração para o gado, também faz parte da refeição dos estudantes como pamonha, bolos, assados e tortas.

Bolsas

Dos 321 alunos que estudam na instituição filantrópica, 50 são bolsistas. Para quem deseja fazer parte, a administração da escola explica que as bolsas para 2023 devem abrir em maio deste ano.

Os candidatos para bolsas são selecionados pela assistência social da unidade. Por isso, há alguns pré-requisitos para que o candidato seja contemplado com a bolsa, como por exemplo, a renda familiar.

Por Gedeon Miranda e Thaís Nauara, Rede Amazônica e g1 RO