Moeda americana é impulsionada globalmente por apostas em maior agressividade do banco central dos EUA em seu aperto monetário, enquanto o noticiário político local elevava a cautela de investidores


Porto Velho, RO - O Ibovespa caía 1,8%, aos 112.286 pontos, por volta das 10h45, influenciado pela queda das ações em Wall Street na véspera, quando os mercados brasileiros estavam fechados, e em meio à nova manhã negativa no exterior por perspectiva de aperto monetário mais agressivo nos Estados Unidos.

No mesmo horário, dólar avançava mais de 2%, negociado acima da marca de R$ 4,70.

A moeda americana caminhava de encerrar a semana, que teve os dias de negociações reduzidos pelo feriado da véspera, em leve alta, após fechar a última quinta-feira em R$ 4,6966. A semana passada também foi encurtada por feriado na sexta-feira.

No Brasil, o foco também estava na política monetária, após declaração do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, enquanto cena política voltava ao radar.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou na quinta-feira que um aumento de 0,5 ponto percentual nos juros estará “sobre a mesa” quando o Fed se reunir em maio, acrescentando que seria apropriado “agir um pouco mais rapidamente”.

O comentário –que consolida a ampla expectativa de que o banco central norte-americano intensificará a dose de aperto monetário diante da inflação mais alta em quatro décadas– levou o índice do dólar contra uma cesta de rivais fortes a tocar uma máxima em 25 meses nesta sexta-feira, enquanto várias divisas arriscadas pares do real, como rand sul-africano, dólar australiano e peso mexicano, caíam entre 0,7% e 1% no dia.

“A visão de que o Fed deve apertar o passo, que foi sustentada pelas autoridades mais hawkish no início, passou a ser amplamente aceita. Com isso, o mercado já precifica pelo menos três altas de meio ponto (nos juros) nas próximas reuniões”, disse a XP em nota.

Juros mais altos nos EUA elevam a atratividade de se investir na extremamente segura renda fixa norte-americana, o que tende a aumentar o ingresso de recursos na maior economia do mundo e, consequentemente, beneficiar o dólar.

Enquanto isso no Brasil, investidores digeriam o noticiário político mais tenso.

Na véspera, feriado de Tiradentes que manteve os mercados locais fechados, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um decreto concedendo perdão ao deputado Daniel Silveira por meio de uma “graça constitucional”, um dia após o Supremo Tribunal Federal condenar o parlamentar pelos crimes de coação no curso do processo e atentado ao ​Estado Democrático de Direito. A medida, vista por muitos como uma afronta ao STF, tem potencial de abrir nova crise com a cúpula do Judiciário.

Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital disse acreditar que, embora “indesejável”, a tensão política não está fazendo preço no mercado de câmbio local, que reflete principalmente os temores de juros mais altos nos Estados Unidos, e afirmou que o mercado já esperava alguma recuperação do dólar mesmo antes da escalada das tensões entre Bolsonaro e o STF.

Isso porque, na última sessão, na quarta-feira, a moeda norte-americana à vista fechou em queda de 1,03%, a 4,6186 reais na venda, maior desvalorização percentual desde 4 de abril. É comum, após oscilações expressivas, haver ajustes no preço da divisa.

Wall Street em baixa

Os principais índices de Wall Street abriram em baixa nesta sexta-feira devido a balanços corporativos mistos, enquanto as ações de crescimento reduziam algumas perdas em uma semana marcada pelo aumento dos rendimentos dos títulos conforme os investidores se preparam para juros mais altos.

O Dow Jones caía 0,19% na abertura, a 34.727,38 pontos.

O S&P 500 tinha perda de 0,18%, a 4.385,83​ pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 0,04%, to 13.168,796 pontos.

Fonte: CNN Brasil