Porto Velho, RO - Nos últimos anos, o Brasil virou um berçário de “unicórnios”, startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais. Desde 2018, 23 empresas nacionais de tecnologia atingiram o status “mágico”. Em 2021, o País teve um ano recorde: nove nomes entraram para o seleto grupo após o setor captar US$ 9,4 bilhões em mais de 770 transações, segundo dados da empresa de inovação aberta Distrito.

Com o início do novo ano, a expectativa por uma nova fornada de startups bilionárias é renovada. O Estadão teve acesso com exclusividade ao relatório da Distrito, que destaca as principais candidatas a startups bilionárias em 2022. O estudo, que vem se tornando tradicional no segmento, aponta para 22 nomes, dos quais 12 aparecem pela primeira vez no radar.

Claro, nem todos devem atingir o status neste ano: na edição passada, apenas três dos 17 nomes listados confirmaram a promessa. Isso significa que, mais do que uma caderneta de apostas, o relatório funciona como um radar das startups nacionais com potencial.

Unicórnio metálico no Habitat, espaço de inovação do Bradesco, simboliza um dos objetivos de muitas startups brasileirasTIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

“Sempre usamos dados na criação de insights. Neste ano, conseguimos trabalhar com mais algoritmos de predição, usando dados mais profundos sobre a evolução das empresas ao longo do tempo. Isso nos permite uma assertividade maior”, explica Gustavo Gierun, cofundador da Distrito.

Entre as informações analisadas estão número de funcionários, crescimento do quadro de funcionários ao longo do tempo, visibilidade no mercado (dados de acesso ao portal, download de aplicativos ou audiência das redes sociais), tamanhos dos investimentos, nomes dos investidores, valor acumulado de investimento ao longo do tempo e velocidade de captação.

Neste ano, temos conseguido trabalhar com mais algoritmos de predição, usando dados mais profundos sobre a evolução das empresas ao longo do tempo. Isso nos permite uma assertividade maior”
Gustavo Gierun cofundador da Distrito

Mesmo com os algoritmos, alguns nomes fora do radar podem surgir – no ano passado, essa foi a tendência: seis startups que não estavam no relatório se tornaram unicórnios. “Hoje, existem empresas que crescem muito rápido. No caso da Daki, por exemplo, era impossível ter mapeado e identificado a velocidade de crescimento deles”, explica Gierun. A edição deste ano, porém, já começa acertando: na segunda, 14, a fintech Neon anunciou que se tornou unicórnio.

Para apresentar a safra de 2022, o Estadão dividiu os nomes em dois grupos: caras novas, agrupando os nomes que aparecem pela primeira vez no radar, e rostos conhecidos, com as startups que também estavam no relatório do ano passado. Falamos com os fundadores e CEOs de 11 das 22 startups listadas (oito do primeiro grupo e três do segundo), que discutiram suas ambições, planos e desafios para o novo ano, além de questões específicas de cada um dos segmentos. Conheça agora a safra de 2022!

CARAS NOVAS

As fintechs, startups que oferecem serviços financeiros, ainda dominam o relatório, o que confirma a categoria como a mais forte entre as empresas nacionais de tecnologia. Porém, a seleção de 2022 também joga luz sobre novos setores, que ainda não viram o seu primeiro unicórnio nascer. É o caso da educação, representada pela primeira vez por Descomplica e Isaac. Aparecem também mobilidade, saúde e alimentação.

Embora novatas, muitas delas saltaram aos olhos do mercado depois de um crescimento meteórico em 2021. A healthtech Alice e a fintech Cora, por exemplo, levantaram duas rodadas de investimento só no ano passado – ao todo, as empresas somaram US$ 160,3 milhões e US$ 142,7 milhões nos aportes, respectivamente. Conheça os 12 nomes que aparecem no radar de unicórnios pela primeira vez.

SEGMENTO I SERVIÇOS FINANCEIROS

‘Ser unicórnio em 2022 é a melhor das hipóteses’

Mathecowitsh explica que ano perfeito poderia transforma A55 em ‘unicórnio’TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

“Espero que tenhamos sucesso em alguns negócios que demandam mais capital para dobrar as apostas na A55. Para nos tornarmos unicórnios, ainda é necessário melhorar a nossa estrutura de crédito, escalá-la em algumas ordens de grandeza. A segunda coisa é ser muito mais uma empresa de inteligência de dados alternativos e menos de crédito. Entendendo essas duas coisas, existem empresas no mundo que pagariam US$ 1 bilhão para entrar nessa jornada com a gente.

Rodadas de captação não são um fim em si: são sempre uma necessidade para financiar os projetos que a gente tem. É possível que a gente pense nisso no segundo semestre. Eu vejo entregas necessárias e outras que são suficientes.

Fizemos uma rodada no fim do ano passado, então estamos bem até o momento. Quando as coisas dão certo para a startup, a gente sempre precisa de mais dinheiro para dobrar ou triplicar o negócio. Então, ser um unicórnio em 2022 é a melhor das hipóteses. Com tudo absolutamente certo, essa é a expectativa que eu vejo como a melhor das hipóteses”.

Hugo Mathecowitsh, CEO da A55

ALICE
SEGMENTO I SAÚDE


‘Queremos gerar mais saúde com um modelo escalável e sustentável’

Florence (centro) quer aumentar tamanho da rede da Alice DIVULGAÇÃO

“Espero que a Alice atinja o título de unicórnio em algum momento, porque precisamos fazer novos aportes financeiros para puxar o crescimento da empresa. Não está no nosso planejamento estratégico levantar mais uma rodada neste ano, já que levantamos dois investimentos no ano passado. Mas, se surgir uma oportunidade, vamos considerar.

Nos últimos anos, conseguimos construir uma marca reconhecida. Agora, o próximo passo é entregar a expectativa que criamos, permitindo que mais pessoas usem a Alice. Estamos revisando nossa operação para que seja um modelo escalável e sustentável financeiramente, que impacte de verdade a indústria de saúde. Dentro disso, o nosso maior foco para 2022 é aumentar a capilaridade da Alice em São Paulo. Ao mesmo tempo, mantemos conversas com parceiros em outras cidades.

Entendemos que o mercado de saúde suplementar, nos moldes atuais, não funciona. Não existe nenhum tipo de vínculo entre o usuário e o plano de saúde tradicional, o que torna a experiência horrorosa para o paciente – é muito burocrático descobrir a qual médico você precisa ir, por exemplo. Nós estamos recriando essa dinâmica. Na Alice, se você tem qualquer questão de saúde, seja uma dor na lombar ou até covid, você fala com seu time de profissionais de saúde, que te ajuda a criar um plano de ação para resolver o problema.

Temos o sonho de contribuir para o SUS um dia. Adoraríamos que o nosso sistema de gestão de tarefas pudesse ser usado em uma UBS, por exemplo. Porém, ainda não entendemos a viabilidade disso.”

André Florence, cofundador da Alice

CORA
SEGMENTO I SERVIÇOS FINANCEIROS

‘Nossa meta é mudar a dinâmica da indústria financeira’

Cora quer reconstruir a indústria financeira a partir da visão de ‘PJs’
DIVULGAÇÃO

“Podemos ter o título de unicórnio a qualquer momento: não faltam interessados em nos dar essa avaliação. Porém, o mais importante para a gente agora é focar na operação. Com as duas rodadas que fizemos em 2021, temos dinheiro para viver este ano e o próximo, mesmo com um supercrescimento.

Até agosto, tínhamos a conta digital para pequenas e médias empresas como único produto. No final do ano, lançamos o cartão de crédito e já concedemos centenas de milhões de reais em crédito, por meio de capital próprio. Viramos o ano com 250 pessoas e devemos chegar ao final de 2022 com cerca de 750 funcionários.

No mundo inteiro, a indústria financeira foi construída pensando nas pessoas físicas, sendo que as demandas das pessoas jurídicas são diferentes. Acreditamos que vamos conseguir entregar um produto muito melhor do que os bancos tradicionais, que têm essa atenção difusa. O crédito será uma área importantíssima para a Cora. Como o nosso cliente já opera conosco na conta digital, conseguimos visualizar todo o fluxo financeiro da empresa – no crédito, quanto menos informação você tem, maior o medo de conceder o empréstimo.

Queremos ser agressivos a ponto de mudar a dinâmica da indústria financeira. Isso significa não só ser competitivo, mas forçar os competidores a mudarem para se adequar ao que a gente fizer.”

Igor Senra, cofundador da Cora

DESCOMPLICA
SEGMENTO I EDUCAÇÃO

‘Queremos 30 mil alunos na graduação e podemos buscar novo aporte em 2022’

Fisbhen quer crescer atuação no ensino superior
MARCO FISBHEN/DIVULGAÇÃO

“Qualquer tipo de destaque relacionado à avaliação de mercado depende fundamentalmente do alcance da companhia. A Descomplica está expandindo suas linhas de negócio desde o ano passado de maneira contundente.

O que começou como um preparatório de vestibulares cresceu para ser a primeira faculdade 100% digital no Brasil, além do grande alcance da pós-graduação. Desde a metade do ano passado, estamos trabalhando de maneira crescente com empresas, como Amazon, Itaú e iFood, em projetos que envolvam também empregabilidade.

Ser a primeira edtech nesse radar é importante para ajudar a fazer o salto entre o trabalho interno que fazemos e conseguir escalar mercado. Somos uma empresa for profit, que visa ao lucro, mas podemos ter impacto também na educação pública: ajudamos milhares de estudantes da rede pública a se prepararem para o vestibular e trabalhamos como complemento do ecossistema do ensino superior, que é liderado por instituições públicas.

Durante a pandemia, fechamos parcerias em larga escala com as secretarias de educação de diversas cidades e Estados para garantir que alunos da rede pública tenham igualdade de condições em relação aos da rede privada.

Para 2022, queremos dobrar o número de alunos na pós-graduação, que hoje tem 70 mil pessoas, e triplicar o tamanho da graduação, chegando a 30 mil alunos. É muito provável que voltemos ao mercado ainda neste ano em busca de uma nova captação. O recurso ajudaria com nosso maior desafio: gente. Os problemas da educação no Brasil são tão grandes e complexos que demandam muita gente boa.”

Marco Fisbhen, fundador e CEO da Descomplica

ISAAC
SEGMENTO I EDUCAÇÃO


‘O setor de educação tem baixo capital alocado e pouca gente de tecnologia’

Isaac, de David Peixoto, teve crescimento veloz com 18 meses de operação TABA BENEDICTO/ESTADÃO

“Em 18 meses, o Isaac já atende 500 escolas e quase 250 mil responsáveis financeiros por alunos. A gente funciona como um sistema operacional das escolas privadas, combinando software com produtos financeiros. Geralmente, o dono de escola é um ex-professor, e a sala de aula é onde ele se sente mais confortável.

Porém, depois de um tempo, ele tem que dedicar 80% da energia dele para atividades burocráticas e administrativas. Ao mesmo tempo, as escolas se acostumaram a ‘terceirizar’ seu negócio principal por meio de plataformas educacionais. É o inverso do que ocorre em outros setores, que costumam preservar a natureza daquilo que fazem de melhor.

O setor de educação está atrasado em termos de inovação, porque é um segmento que teve baixo capital alocado e pouca gente de tecnologia dedicando carreiras. As edtechs estão mudando isso, gerando impacto que vai além do próprio negócio. Nossa meta é chegar a 10 mil escolas, 25% do mercado privado.

Com o tempo, e mais acesso a dados, poderemos ter serviços que permitirão que famílias paguemde acordo com a sua renda. Por exemplo: em vez de desembolsar R$ 1 mil por mês em 10 anos, poderia ser R$ 500 por mês por 20 anos. Isso preencheria vagas ociosas nas escolas privadas, ampliaria o acesso a estudantes e desoneraria parcialmente a escola pública, que poderia alocar melhor recursos.

Com o aporte de US$ 125 milhões, não planejamos uma nova captação para 2022 - estamos bem capitalizados. Temos dois desafios pela frente: o primeiro é montar um bom time. O outro é credibilidade: quando você é uma startup em um setor tão tradicional, você encontra barreiras. Ninguém sabe quem você é. Então é preciso construir a marca tijolo a tijolo.”

David Peixoto, cofundador do Isaac

KOVI
SEGMENTO I MOBILIDADE

‘Parte do nosso plano é expandir pela América Latina’

Para a Kovi, de Milani Neto (E), assinaturas tornam a relação com veículos mais flexível WERTHER SANTANA/ESTADÃO

“O título de unicórnio é só uma fase na vida de uma startup. Sempre falo internamente que a Kovi nasceu para ser uma empresa de décadas, porque levará tempo para transformarmos a relação do ser humano com o carro. Começamos em São Paulo e na cidade do México, que são as maiores cidades do Uber do mundo, e pretendemos expandir para todos os lugares do planeta que tenham o perfil de países em desenvolvimento.

Crescemos três vezes no ano passado e pretendemos continuar nesse ritmo de crescimento este ano, expandindo o número de motoristas atendidos. Também estamos naturalmente aumentando nosso mercado para além de motoristas de app, atendendo qualquer pessoa física: existe uma nova economia na qual, pela manhã, o motorista trabalha no Uber, à tarde, ele é professor de tênis e, no final de semana, ele desce de carro com a família para a praia. Além disso, parte do nosso plano é expandir pela América Latina.

O Brasil tem uma das maiores taxas de financiamento do mundo: o brasileiro financia o veículo em 60 meses, não consegue pagar e acaba ficando sem o carro e com o nome sujo. Nosso produto é uma assinatura simplificada e mais acessível, que não exige cartão de crédito. Em um país com quase 14 milhões de desempregados, é uma experiência mágica você conseguir entrar em uma plataforma, fazer uma assinatura, pegar o carro no dia seguinte e já estar empregado.”

Adhemar Milani Neto, CEO da Kovi

SHOPPER
SEGMENTO I VAREJO DIGITAL

‘Atuamos antes de o cliente sentir falta do item’

Shopper, de Fábio Rodas, aposta em corte de custos com o modelo de negócios GABRIEL REIS

“A Shopper é o único nome que atua somente no setor de supermercado digital há mais de 6 anos, e a nossa categoria ficou em evidência na pandemia. Nossos concorrentes focam no sintoma, e não na doença: todos têm modelos que esperam o cliente sentir a falta de um item em casa e só então vendem e entregam o produto. Já a Shopper atua antes de o cliente sentir a falta do item.

Não faz sentido esperar acabar o sabonete para só então ir comprá-lo. É possível programar as compras.

Em um cenário de crise econômica, com inflação em alta, o nosso modelo de negócios de compras programadas vai melhor por ser uma alternativa mais barata, com preços menores do que em outros supermercados online. A previsibilidade disso nos traz menos desperdício, menos estoque, logística planejada de forma eficiente e sem depender de lojas físicas caras. A estrutura de custos do modelo é muito menor.

Para nós, o status de unicórnio gera mais visibilidade, o que ajuda na atração de talentos, clientes e investidores. A avaliação de mercado superior a US$ 1 bilhão é uma consequência do trabalho que temos feito. É algo que naturalmente vai acontecer.”

Fábio Rodas, CEO da Shopper

ZOOP
SEGMENTO I SERVIÇOS FINANCEIROS

‘Precisamos estar capitalizados para lidar com o cenário macroeconômico atual’

Cruz: “Existe muito a fazer no Brasil em serviços financeiros”
DIVULGAÇÃO

“Ao pensar no próximo passo, a Zoop quer se posicionar estrategicamente e buscar parceiros para eventual expansão internacional. E também conseguir uma captação maior para conseguir colocar mais produtos dentro da nossa plataforma de serviços financeiros. Se mantivermos esse olhar estratégico, é muito provável que nos tornemos um unicórnio. É um reconhecimento e vai dar um orgulho tremendo.

Quando se pensa em serviços financeiros, existe muita coisa para fazer no Brasil. Há uma revolução acontecendo nas formas de pagar e receber dinheiro, no Pix e no open finance.

E, além do País, existem o México e a Colômbia, que estão atrasados em cinco anos em relação a nós. É um mundo imenso para explorar. Por exemplo, estamos desenvolvendo o recurso de ‘compre agora, pague depois’, que é uma infraestrutura bastante interessante.

Também pensamos em como receber pagamentos sem envolver maquininhas, além de investir no Pix. Hoje, estamos olhando para a jornada de consumo do cliente.

Somos afetados pelo cenário macroeconômico e político. O Brasil é um ambiente muito complexo para se fazer negócios, e a alta na Selic afeta diretamente nossos custos de captação. Mas mesmo neste ambiente viemos crescendo, ano a ano, a três dígitos. É um ambiente complexo e não muito favorável, mas, se estamos capitalizados e com um bom time, passamos por qualquer crise.”

Fabiano Cruz, CEO da Zoop

ROSTOS CONHECIDOS

Entre os rostos conhecidos, surgem algumas das principais startups brasileiras dos últimos anos em diversos segmentos. Entre eles estão Buser, Fazenda Futuro e Petlove, que chegaram a captar investimentos no ano passado, mas não o suficiente para ultrapassar a avaliação de US$ 1 bilhão. É deste grupo de 10 nomes que podem sair vários unicórnios do ano, como Conta Azul e Tembici.

Uma das “repetentes” nem precisaria estar na lista. Apontada há anos como promessa no segmento de inovação do Brasil, a Neon poderia ter anunciado o status de unicórnio em setembro de 2020 – o Estadão apurou que, na época, a empresa já havia ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão. A revelação, porém, só veio na segunda, 14, após um novo aporte de US$ 300 milhões.

Veja todos os rostos conhecidos no radar de unicórnios.

CONTA AZUL
SEGMENTO I CONTABILIDADE E SERVIÇOS FINANCEIROS


‘Vamos oferecer serviços financeiros e estamos próximos de virar unicórnio’

Conta Azul, de Roveda, caminha para oferecer serviços financeiros DIVULGAÇÃO

“Depende de alguns fatores para a Conta Azul virar unicórnio em 2022, mas a gente está muito próximo. O ponto chave é que o nosso negócio ataca um problema muito sério: decidimos ajudar PMEs, um mercado grande, com 6 milhões de empresas.

Depois de conquistar espaço com a plataforma de gestão e transformar o mercado de contabilidade, nosso próximo passo é oferecer serviços financeiros. O ecossistema permite que a gente seja uma fintech relevante, oferecendo produtos personalizados. O plano é ter neste ano uma conta digital: nenhum banco consegue atender as PMEs como a gente.

A pandemia teve um impacto negativo na companhia muito menor do que o esperado. Nossos clientes sentiram, mas a maior parte também conseguiu crescer. A vantagem de trabalhar com PMEs é que esse é um setor que continua crescendo, independentemente de crise ou mudanças políticas. Depois de dois anos, a empresa começou a rodar em equilíbrio e continuou crescendo em dois dígitos. Temos 100 mil empresas e 10 mil contadores usando nossa solução.

Embora a gente não descarte, não estamos buscando novos aportes neste ano. Não divulgamos, mas no ano passado recebemos um investimento para realizar alguns movimentos inorgânicos, como a compra da Swipe. Também não é momento de IPO. Além da falta de mão de obra no mercado de tecnologia, o maior desafio da Conta Azul é chegar a mais empreendedores: 40% deles passam pelos problemas que a gente resolve, mas nunca ouviram falar de soluções como as nossas. O Brasil é um mercado muito grande e o nosso desafio é chegar até ele.”

Vinicius Roveda, cofundador e CEO da Conta Azul

PETLOVE
SEGMENTO I PETS

‘Nosso foco está nos planos de saúde para pets’

Talita: “Plano de saúde para pets vai dobrar nossa carteira de clientes” ALEX SILVA/ESTADÃO

“É possível que a Petlove se torne unicórnio esse ano, mas isso é uma consequência de continuar crescendo. O nosso foco está no nosso plano de saúde para pets, que está indo super bem. Se você quer oferecer um ecossistema para o animal, é preciso pensar em toda a jornada.

A gente vê muito potencial de crescimento nesse negócio e ele vai mais que dobrar a nossa carteira. Eu não acredito que esse é um mercado em que apenas uma empresa possa dominar. Tem espaço, mas acho que existe uma proposta muito atraente em ter tudo em um lugar só.

Acabamos de fazer uma rodada e estamos com bastante caixa ainda, então não está nos planos fazer uma rodada neste ano, a não ser que tenha um contexto específico. Não olhamos o valor de mercado todo dia, vidrados nos números, mas pode ser uma consequência desse trabalho da startup.

Estamos em uma situação macroeconômica muito complicada. No Brasil, a gente tem um cenário de inflação muito alto e essa situação sempre é mais complicada. Não vemos isso no segmento de ração, por exemplo, que é uma parte bem resiliente do nosso setor. Mas para itens não-essenciais, esse contexto é bem mais desafiador. O orçamento das famílias está mais apertado e o setor sofre um pouco mais nesse contexto”.

Talita Lacerda, CEO da Petlove

TEMBICI
SEGMENTO I MOBILIDADE

‘Mobilidade é um jogo de apenas um vencedor’

Martins: “Apenas 0,15% da frota da Tembici sofre com vandalismo” DIVULGAÇÃO

“A Tembici cresceu muito na pandemia, mesmo com as viagens impactadas: em janeiro de 2022 registramos a maior receita da história da companhia. Criamos a linha de negócios para utilizar a frota de bicicletas compartilhadas para a realização de entregas de iFood: vamos bater 500 mil entregas em fevereiro.

Além disso, apostamos na bicicleta elétrica, com a meta de colocar 10 mil desses modais nas ruas até o final de 2022. E agora vamos para Bogotá. Com isso, assumimos todas as grandes capitais da América do Sul: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Buenos Aires, Santiago e Bogotá.

Já estávamos na indústria quando surgiu o modelo de bikes e patinetes sem estação (dockless), que é um modelo que não para em pé. Eles colocam uma quantidade muito maior de ativos nas ruas e é difícil de rentabilizar.

A Tembici coloca uma quantidade menor, mas com duração maior do equipamento. Sempre acreditamos que apostar em estações de bicicletas diminui o vandalismo, gera um ponto de referência com o consumidor, fomenta uma relação melhor com as prefeituras e aumenta a qualidade das bicicletas.

Desenvolvemos um equipamento com um sistema que aciona um alarme e corta remotamente o motor da bike elétrica em caso de vandalismo. Temos um controle maior da frota, que tem índice de vandalismo de 0,15%. É um dos desafios que várias das empresas dockless sofreram, de perda de ativos por roubo ou avarias. Na mobilidade, a barreira de entrada para novos concorrentes é muito maior porque precisa de investimento de outra magnitude. É um jogo de um vencedor só.”

Tomás Martins, cofundador e CEO da Tembici

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