Criança sofre de pneumonia grave, mas recepcionistas da unidade alegam falta de médico. Diversos pais também aguardam atendimento

Porto Velho, RO - Mãe e filha estão há mais de 22h na fila de emergência do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), na Asa Sul, esperando atendimento. Karina Gonçalves Soares, 26 anos, virou a noite no hospital com a filha, Maria Clara (foto em destaque), nos braços, sem saber se a pequena seria avaliada por um médico. A criança sofre de pneumonia grave e está vomitando sangue.

A moradora de Samambaia revelou ao Metrópoles que a bebê deu entrada na unidade às 13h dessa segunda-feira (27/12), cuspindo sangue e vomitando. Até as 11h30, nenhum médico havia atendido a criança. Mesmo casos urgentes estão sem atendimento durante horas no hospital.

Segundo familiares presentes no hospital, os recepcionistas disseram que não há médicos disponíveis para atendimento. “Ela está aqui com falta de ar, cuspindo sangue, toda molinha, e a gente não sabe nem se vai conseguir internar a criança. Estamos desesperados, sem comer no hospital, esperando por esse atendimento”, lamentou Samara Regina Leal Barbosa, 26, amiga da família.

Na emergência, há mais famílias na mesma situação de Karina. A mulher enviou um vídeo à reportagem, no qual é possível ver pais, com crianças de colo, esperando em pé por atendimento.

Outro lado

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal esclareceu que, “em momento algum, a paciente deixou de ser atendida no Hospital Materno Infantil de Brasília dr. Antônio Lisboa (Hmib). Ela deu entrada na unidade às 16h da última segunda-feira (27), foi acolhida às 16h29 e atendida pela pediatra às 16h59.”

A pasta detalhou que, “durante o atendimento, foram solicitados diversos exames realizados no Hmib, como raio-x e hemograma, além de administração de medicamentos durante toda a tarde e início da noite — período em que ela permaneceu na sala de medicação do hospital. Às 20h50, ainda no Hmib, e sob observação, a paciente foi reavaliada e recebeu medicação. Às 21h48, foi novamente reavaliada pela médica e, às 22h26, a pediatra avaliou o caso juntamente com os exames de sangue e raio-x feitos no final da tarde.”

Segundo a Secretaria de Saúde, “às 22h31, ela foi liberada para voltar para casa com uso de medicamentos, e a mãe, orientada a observar os sintomas. Portanto, é improcedente a informação de que a paciente não teve atendimento no Hospital Materno Infantil de Brasília dr. Antônio Lisboa.”