Diante do alto número de novos registros de Covid-19 e de mortes causadas pela doença, em todo o país, o Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), vem reforçando a parceria entre o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Rondônia.

Os dados de Rondônia integram o Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, referente às semanas epidemiológicas 5, 6 e 7 de 2021, que abrangem o período de 31 de janeiro a 20 de fevereiro. Apesar das pequenas variações observadas, nenhum Estado do país, apresentou tendência significativa de queda no número de casos e óbitos. De acordo com o boletim, as maiores taxas de incidência de Covid-19, para o período, foram identificadas nos estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Santa Catarina e Mato Grosso. Taxas de mortalidade elevadas foram observadas em três Estados da região Norte (Rondônia, Acre, Amapá), além de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

Com cerca de 1.200 óbitos diários (no período de 21 a 27 de fevereiro), o país vem registrando o pior cenário da pandemia, desde os primeiros casos. Dados que refletem nas taxas de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) para Covid-19 destinados a adultos. Essa realidade pode ser comprovada com o preenchimento total dos leitos de UTIs para pacientes com Covid, em hospitais de Porto Velho, há vários dias. No último Boletim, divulgado pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa), nas últimas 24 horas, foram confirmados 1.675 novos casos de Covid-19 e 46 óbitos, em Rondônia.

Enquanto isso, equipes de profissionais se revezam em três turnos para dar conta do número de amostras que chegam diariamente ao Lacen, na Capital. “Estamos com uma positividade de cerca de 60% das amostras analisadas, o que reforça a necessidade de intensificarmos as medidas de prevenção e o isolamento social”, pontua Cicileia Correia da Silva, diretora do Lacen.

Parcerias com a Fiocruz continuam

Em colaboração com a Fiocruz RO, a capacidade diária de diagnósticos do Lacen foi ampliada. Aproximadamente 207 mil diagnósticos, por meio da técnica de RT-qPCR, foram realizados em parceria com o Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz, desde a primeira amostra identificada como positiva. A colaboração também permitiu a capacitação de profissionais do Laboratório Central, que atuam diretamente no diagnóstico de Covid-19, e o envio de profissionais qualificados em Biologia Molecular.

Essa parceria também resultou em pesquisa de Avaliação Genômica do Vírus SARS-CoV-2, circulante em Rondônia, na qual foram identificadas três novas variantes no Estado, a partir das amostras analisadas entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. O estudo contou ainda com a colaboração da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem) e Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD – Fiocruz Amazônia). Outras três variantes já haviam sido identificadas em estudo realizado com base em amostras de pacientes coletadas nos meses de abril e maio de 2020.

No estudo “Development of a quantitative one-step multiplex RT-qPCR assay for the detection of SARS-CoV-2 in a biological matrix” (Desenvolvimento de um ensaio RT-qPCR multiplex quantitativo de uma etapa para a detecção de SARS-CoV-2 em uma matriz biológica), publicado no jornal “International Journal Of Infectious Diseases em janeiro deste ano, os autores descrevem o desenvolvimento de uma reação quantitativa de alta precisão (one-step RT-qPCR), usando a associação do alvo viral e alvo humano em uma mesma reação. A carga viral mínima quantificável nesse estudo foi de 2,59 e o máximo foi de 3,5 x 107 cópias, por reação, na população testada, que inclui 244 pacientes com sintomas compatíveis para Covid-19.

A pesquisadora em Saúde Pública, Deusilene Souza Vieira, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz  explica que, além desses projetos em andamento que trouxeram resultados relevantes para o conhecimento da doença e sobre o perfil epidemiológico dos pacientes, novas propostas estão sendo executadas em colaboração com o Lacen, como o acompanhamento dos casos de reinfecção e avaliação da evolução da doença para casos moderados e graves correlacionando-os com os registros de novas variantes para Rondônia, “ou seja, nós precisamos, agora, investigar até que ponto esse novo cenário, observado nos últimos meses, possui relação com as novas variantes”, esclarece Deusilene Vieira.

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