Com a pandemia causada pelo coronavírus, muitos profissionais da classe cultural tiveram que inovar ou buscar reinvenção em sua forma de trabalhar. Como forma de apoiar esta iniciativa e ampará-los por via legal, evitando a ausência de emprego e oportunizando recursos para obter desempenho profissional foi instituída a Lei Aldir Blanc do Governo Federal, gerenciada pelo Governo de Rondônia por meio da Superintendência da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel).

A escritora, atriz e produtora portovelhense, Amanara Brandão dos Santos Lube, de 23 anos, vem garantindo seu espaço no mercado de trabalho através da produção de obras artísticas e literárias. Ao saber do benefício, Amanara decidiu apostar em alguns de seus diversos projetos pessoais, evidenciados por: um livro multigênero, uma pesquisa em artes cênicas e a produção online de apresentações circenses que foram aprovadas e financiadas pela Lei.

O recurso, que chegou em boa hora, contou com a integração de outros colegas da categoria. “Este foi o momento certo para colocar em prática todo o aprendizado da produção artístico-cultural e a resposta positiva veio com o cumprimento da lei, que tem nos ajudado a classe a alcançar objetivos”, enfatiza.

Dos projetos aprovados, através do edital nº. 86/2020, o livro “Entre Portos: narrativas às margens” foi escrito por Amanara em parceria com o autor Christian Otto Muniz Nienov, desvelando o cenário imaginário e ficcional da capital Porto Velho a partir dos olhares dos seus escritores. “Esta foi a minha primeira obra literária, produzida graças ao investimento legal”, diz emocionada.

Além desta produção, outras obras da autora foram financiadas pelo edital nº 83/2020 e nº. 77/2020, através de um projeto de pesquisa utilizando ferramentas das Artes Cênicas, denominado “Uma Estética dos Restos”. E a realização de lives (transmissão audiovisual em tempo real) em plataformas de streaming com a apresentação do espetáculo: “Que Palhaçada é Essa?”.

Segundo Amanara, os três projetos puderam beneficiar, além dela, outras dez pessoas envolvidas no processo, levando em consideração a montagem do livro, a organização da pesquisa e as produções artísticas. “A contemplação dos editais possibilitou gerar renda para outros profissionais que precisavam de uma oportunidade, como: a ilustradora e o diagramador do livro; os intérpretes de libras durante as apresentações das lives; os publicitários que divulgaram nosso trabalho; os funcionários da gráfica onde o material foi impresso; entre outros colaboradores que agiram de maneira indireta”, explica.

ENTRE PORTOS

O livro “Entre Portos: narrativas às margens” nasceu da necessidade dos autores praticarem a técnica da escrita. Por ficarem muito tempo isolados em casa, respeitando as medidas restritivas aplicadas na pandemia, nada melhor do que aproveitar o período para a criação de conteúdo. “Durante este período, eu lia apenas outros livros. Porém, como tenho hábito de redigir vários textos homenageando e referenciando à nossa cidade, foram surgindo ideias e convidei o autor Christian para publicarmos uma obra oficial”, relata Amanara.

Livro, foi lançado no dia 10 de abril, em Porto Velho

Poemas, contos, crônicas e ensaios, formam às 169 páginas recheadas com imagens em xilogravuras preto e branco. A maior inspiração para produzir o material, de acordo com a autora, é baseada na ambientação natural da cidade de Porto Velho, especificamente os lugares mais exóticos: os monumentos, as pessoas que circulam nas vias públicas, as diversas situações do cotidiano e, o detalhe principal, o rio Madeira, contornado com sua margem histórica.

“Uma curiosidade: o título refere-se ao nome das nossas cidades. Pois, eu sou de Porto Velho, e o Christian, pertence a Porto Alegre, daí a inspiração do termo “Entre Portos”. A continuação da frase: “narrativas às margens”, também remete a circunstância de que os dois lugares possuírem rios que margeiam as cidades, encontrando diversidade, histórias e personagens representativos da região”, detalha.

Para constituição da obra, foi necessário o empenho e dedicação de vários profissionais, a exemplo da diagramação da capa, aos desenhos ilustrativos e à redação inicial do livro (apresentação). Como citado anteriormente, pelo fato de todos os envolvidos neste trabalho residirem na capital rondoniense, favoreceu para a dinâmica precisa durante o ato de produção. Uma live para lançamento do trabalho foi feita no canal de vídeos oficial da Amanara.

Conforme a escritora do “Entre Portos: narrativas às margens”, após a publicação do livro foram doados 150 exemplares à Sejucel, e outros 150 à Secretaria de Estado da Educação (Seduc), para serem disponibilizados em escolas e bibliotecas públicas. Além da benfeitoria, o material é ainda disponibilizado gratuitamente no formato Portable Document Format (PDF) à comunidade em geral, por meio do link: https://drive.google.com/file/d/1KRXVZ1a9qhubV63fKkR-UXvSfMlVXY3b/view.

DO TEATRO AO AUDIOVISUAL

Os outros dois projetos desenvolvidos pela Amanara também contaram com a participação de colegas que contribuíram para a sua concepção e execução. Antes da pandemia, a autora, que também é atriz, já realizava diversas ações voltadas para a área da cultura, em especial a arte cênica, como festivais e circuitos nacionais e regionais com o grupo de teatro local, O Imaginário.

Por isso, que a pesquisa “Uma Estética dos Restos” além de ter conteúdo teórico, contém em sua produção final uma ferramenta do gênero teatral, denominada: performance, provocando reflexões na sociedade sobre a sustentabilidade e os modos como o corpo humano é visto e explorado na sociedade de consumo.

Amanara Brandão (A primeira, da direita para esquerda), faz curso de graduação em Artes Cênicas, pela Universidade Federal de Rondônia (Unir)

O espetáculo “Que Palhaçada é Essa?”, é mais uma ação implementada pela Amanara junto a diversos profissionais que atuam no mercado da área da cultura em Porto Velho. Se tratando de uma apresentação em forma de circo, os integrantes se vestem como personagens do gênero para animar e contagiar o público. O roteiro e a interpretação são feitos pelos próprios personagens, enquanto a atividade é transmitida em uma live.

Todas as ações dos dois projetos são veiculadas por meio de vídeos na plataforma oficial da autora, com classificação livre e aberta ao público em geral. Amanara comenta que para a produção audiovisual, que requer aproximação e interação entre os membros, foram seguidas todas as recomendações das autoridades sanitárias, priorizando a higiene pessoal e cuidando de quem apresentava sintomas do vírus causador da covid-19.

FOMENTANDO A CULTURA NO ESTADO

Em 29 de junho de 2020, o Governo Federal instituiu uma lei denominada Aldir Blanc visando apoiar financeiramente a classe dos trabalhadores da Cultura que foram atingidos com as medidas restritivas de isolamento social imposta em todo território brasileiro. Para isso, o projeto legal foi gerenciado em Rondônia pela Sejucel, na qual viabilizou 9 editais organizando a distribuição dos recursos repassados pelo órgão nacional à categoria.

Conforme a Superintendência, ao todo, foram enviados cerca de R$ 30 milhões em recursos à região, dos quais, R$ 18 milhões foram aplicados somente no Estado e R$ 12 milhões aos municípios. O departamento também detalha que do valor destinado ao Poder Executivo, R$ 14.510.555,58 (quatorze milhões, quinhentos e dez mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e cinquenta e oito centavos), foi designado para a elaboração dos editais e chamamento público, sendo utilizados 7.422.400,00 (sete milhões, quatrocentos e vinte e dois mil e quatrocentos reais).

Dos nove editais disponibilizados, um deles foi voltado a pareceristas (curadores) que tiveram a missão de avaliar projetos dos demais editais. Das vagas ofertadas, no total, 309 profissionais da Cultura foram contemplados diretamente pelo investimento público. Os editais publicados com suas respectivas nomenclaturas e finalidades são:

– Maestro Alkbal (nº76): para curadores que avaliam os projetos dos outros editais;

– Mary Cyanne (nº 77): fomento à cultura e à produção artístico-cultural para transmissões ao vivo ou gravadas;

– Jair Rangel “Pistolino” (nº 78): para produção audiovisual;

– Pacaás Novos (nº 80): para difusão de festivais, mostras e feiras artísticas e culturais;

– Mestre Aluízio Guedes (nº 81): para mestres e mestras da cultura popular de Rondônia;

– Alejandro Bedotti (nº 83): fomento à cultura para pesquisa e desenvolvimento de expressões culturais;

– Ambrósio Paes (nº 84): para difusão Cultural dos povos tradicionais quilombolas;

– Urucumacuã (nº 85): para difusão cultural dos povos tradicionais indígenas;

– Marechal Rondon (nº 86): para publicação e difusão de expressões culturais.

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